As Ciências da Arqueologia

 

   A Arqueologia é uma ciência recente, sendo que a simples curiosidade pelo conhecimento do passado humano apenas adquiriu contornos de ciência, e profissionalização, no século XX.

 Está integrada nas ciências humanas, pois o Homem é o seu objecto de estudo, fazendo-o através da análise dos vestígios materiais que o Homem deixa como testemunhos da sua vivência desde há vários milhões de anos.

 Como qualquer ciência, a Arqueologia tem o seu método próprio, nunca prescindindo de uma análise cuidada de qualquer situação, de colocação de várias hipóteses para dar resposta às perguntas que surgem, e de testar essas hipóteses com o máximo cuidado e registando todos os passos.

 Embora a escavação arqueológica seja a parte mais visível do trabalho do arqueólogo, antes de essa ser iniciada a equipa de Arqueologia tem de fazer investigações prévias, quer com o auxílio de bibliografia, cartografia e história oral das populações locais, e ainda fazendo uma prospecção do terreno, para identificar quer as possíveis ocorrências quer os locais com mais potencial para fornecer respostas às questões colocadas. Quando está identificada a área a ser analisada pelo método de escavação, apenas um arqueólogo devidamente credenciado e autorizado pela tutela pode iniciar essa prática, assegurando que todos as informações são retiradas do solo e registadas, dado que a escavação é uma actividade destrutiva e irrepetível.

 Depois do trabalho de campo passa-se a outra importantíssima fase do trabalho arqueológico, no laboratório. Aí se tratam os materiais encontrados, sejam artefactos, amostras de solo ou materiais orgânicos como sementes e ossos.

 Como ciência multidisciplinar que é, a Arqueologia, e o trabalho do arqueólogo, exigem uma aproximação aos métodos e técnicas aplicados por cientistas de outras áreas científicas, como a Botânica, a Zoologia, a Química, a Física ou a Matemática, o que levou mesmo à criação de disciplinas como a Arqueobotânica, a Arqueozoologia, a Antropobiologia, a Geoarqueologia ou a Arqueometalurgia.

 Numa escavação arqueológica é comum serem recolhidos restos orgânicos de plantas ou animais (como sementes, ossos ou conchas) que, depois de tratados e analisados cientificamente, nos dão uma visão mais clara sobre como se alimentavam os nossos antepassados, ou dos animais e plantas existentes e escolhidos para integrar a sua dieta, das actividades económicas de que se ocupavam, e até dos locais que habitavam e com que estabeleciam contactos, conhecimentos esses que só são possíveis de obter através do contacto com áreas como a Botânica e a Zoologia.

 Por outro lado, as análises químicas que nos possibilitam aferir, por exemplo, os níveis de radiocarbono (C14) presentes em amostras orgânicas como os ossos ou carvões, fornecem-nos uma datação desses elementos, de modo a calcular a sua data provável de origem.

 A Química é também essencial na Arqueometalurgia, pois permite conseguir perceber os processos de fabrico e as matérias-primas utilizadas desde que o homem começou a produzir objectos em metal, no final do período pré-histórico.

 Mas antes mesmo de realizar uma escavação arqueológica num dado lugar, a Geofísica vem auxiliar o arqueólogo a ter uma noção do que está por baixo da terra, uma vez que através de um aparelho de ondas electromagnéticas, conseguimos registar alterações no solo, como um muro ou uma vala, que, ao serem analisadas, permitem ter uma ideia do que vai surgir, mesmo antes de o sítio estar escavado, permitindo escolher os locais que mais informação podem fornecer.

 A Geologia é ainda uma ciência crucial para o trabalho do arqueólogo, estando ligada à Arqueologia desde os seus primórdios como ciência, dado que o registo dos estratos de ocupação humana (as várias camadas arqueológicas que se encontram numa escavação) se baseia nas teorias de formação das camadas geológicas. Dado que a pedra sempre foi uma das matérias primas mais recorrentes na natureza, o Homem utilizou-a a trabalhou-a para os mais diversos fins, seja para fazer uma ponta de seta ou para construir habitações, e utilizando os conhecimentos da geologia, é possível entender muito sobre a história da ocupação humana no território e até das trocas comerciais que estabelecia com populações distantes.

  E sabia que a Matemática é recorrentemente utilizada no dia-a-dia de uma escavação arqueológica? Seja para montar uma quadrícula de escavação, calcular a distribuição das sondagens, fazer medições e desenhar.